A pandemia do novo coronavírus já deixou um rastro de incertezas, além das lamentáveis mortes e incalculáveis danos à economia. No entanto, o que resta, sobretudo para os pequenos empresários, é agarrar-se às poucas certezas existentes para tentarem salvar seus negócios.


É certo, por exemplo, que a quarentena se estenderá por mais algumas semanas e que a retomada será lenta. Outro consenso é que o necessário isolamento social, cujo objetivo é reduzir a transmissão da Covid-19, está causando a maior crise do capitalismo, cujos impactos serão mais percebidos entre aqueles que não têm o hábito de fazer planejamento.

Por outro lado, segundo os analistas, não há dúvidas de que a crise irá passar e o crescimento será retomado, ainda que gradualmente, a partir de algum momento. “Tem muito empresário isolado, sofrendo sozinho e deixando de fazer planejamento”, destaca o diretor presidente da cooperativa de crédito Sicoob Crediacisc, Hercílio Antônio de Carvalho.

As grandes empresas ou as menores que tenham bons contadores ou advogados atuantes já planejam os próximos passos levando em conta os cenários mais pessimistas, com as atividades paralisadas por até três meses, ou mais otimistas com uma reabertura a partir de maio.

Para os conselheiros da cooperativa de crédito, formada na sua maioria por micro e pequenos empresários, os menores têm mais dificuldades porque não têm reservas financeiras ou assessorias. “Porém, há diversas instituições que oferecem auxílio gratuito, como a própria cooperativa para quem é cooperado, o Sebrae, a Acisc e outras”, destaca Carvalho.

Socorrer os pequenos negócios deveria ser uma tarefa de toda a sociedade. De acordo com o Sebrae, 98% das empresas no Brasil e metade dos empregos vêm das pequenas empresas. Sem contar os trabalhadores autônomos e informais que engrossam o consumo e estimulam a economia.

Um levantamento recente do Centro de Estudos e Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe), depois de ouvir 245 grandes empresas, apontou que metade (48,6%) tem recursos para suportar 3 meses sem faturamento, pagando salários, fornecedores e outros custos fixos. Ficariam no negativo no primeiro mês 23,3% das empresas e 37,1% aguentariam por 60 dias.

“Esse é o retrato das maiores empresas e das mais capitalizadas”, explica o coordenador do Cemec-Fipe, Carlos Antonio Rocca. É evidente que com a recessão essas empresas também sofrerão impactos. Antes da crise, a previsão de crescimento nas vendas era de 3% para 2020. Agora, já se espera uma queda de 4% pelo menos. 

A recomendação dos conselheiros do Sicoob Crediacisc, por pior que seja o cenário, é não entrar em desespero. O momento exige calma, conversa com a equipe e busca de ajuda profissional. Um contador, advogado ou as entidades voltadas aos pequenos negócios estão ouvindo as experiências de várias empresas e, com isso, têm melhores soluções para apontar. 

Para o Sicoob Crediacisc o ideal é colocar no papel um planejamento mínimo e ficar alerta para não cair em tentações, como os financiamentos a juros altos. Embora o governo federal tenha alardeado uma série de mecanismo para liberar crédito, especialmente para as empresas menores, ainda não há regras claras e quem assumirá os riscos da inadimplência. O sistema financeiro aguarda sinalizações do Banco Central. 

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgou nesta semana que pelo menos 2 milhões de clientes foram bater nas portas dos cinco maiores bancos do país em busca de empréstimos. A Confederação Nacional de Comércio divulgou que o endividamento dos trabalhadores com cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, bateu recorde e está em 66,2%.

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